sábado, 12 de dezembro de 2015

Política: muito fácil de discutir quando olha-se para o próprio umbigo

O objetivo dessa postagem é argumentar um pouco sobre "discussão sobre política" e não sobre política propriamente dita. Foi motivada por uma reflexão que tive sobre o que as pessoas consideram na hora da discussão e o que elas não consideram. Sou um eleitor imparcial, que sempre analisa os candidatos e seus programas, considerando o maior número possível de fatores do passado. Não me considero um pessoa com boa bagagem para aprofundar no assunto, mas considero que tenho condições de identificar problemas que ocorrem nas discussões sobre política. Falar de política é algo extremamente complicado porque é muita coisa envolvida: momento atual de cada classe social, momento atual da economia do país, educação das pessoas (educação que os pais dão para os filhos), educação (instrução), cultura, herança política, herança econômica, fama do país no mundo exterior, etc, etc. Discordo completamente das discussões politicas com excesso de subjetividade e com comentários reprovadores de episódios desconexos. Ou fala-se de muita coisa envolvida, ou não ocorre discussão sobre o assunto. Hoje entendo perfeitamente o motivo de não se recomendar discutir sobre política, porque existe uma grande possibilidade de alguém sair da discussão chateado. Votei nessas últimas eleições nos candidatos que eram do PT. Eu não votei no PT, eu votei nos candidatos que, por coincidência ou não, são deste partido. Muitas discussões começam já separando as pessoas que votam e tal e tal partido. E ainda ressalto que não necessariamente um eleitor que votou no atual presidente, estaria de acordo com a situação atual. Um eleitor pode sim estar se sentindo enganado com o que ele acreditou na época das eleições. Sem falar que o fato do eleitor votar no candidato do governo ou no candidato da oposição, não significa que aquele candidato seria o perfeito para o país. Acho que em muitos casos as pessoas escolhem o menos ruim daquela época e isso deixa evidente que o eleitor apostou em alguém e pode, ou não, se arrepender no futuro. É óbvio que um eleitor reprova os escândalos que estão aparecendo atualmente, independente se os criminosos pertencem ou não ao mesmo partido do presidente em que votou. Claro que reprovam! E olhe que existem problemas públicos que estão relacionados com sua respectiva cidade em que mora, ou seja problemas ocasionados pela corja do prefeito atual e que não necessariamente tem relação com o presidente ou partido do presidente. Temos mais de 5 mil cidades no Brasil. Ou seja, o assunto não é tão simples assim. Numa discussão, várias variáveis precisam ser consideradas e vários episódios precisam ser lembrados, recentes e antigos.

Corrupção
Obviamente que exite uma tendência em julgarmos os políticos corruptos pelos crimes que cometem. Claro! Completamente reprovável! Seja lá em quem votou. O que geralmente as pessoas esquecem é que muitas dessas corruções, outras pessoas estão envolvidas também, como funcionários públicos e diretores/gerentes de empresas privadas. Um funcionário de uma empresa privada, que está envolvido em algum escândalo de licitação, por exemplo, é tão corrupto quanto o funcionário público que também participa do mesmo crime. Acho que numa discussão política, só lembramos dos políticos que são eleitos por nós. São corruptos mesmo! Pessoas sujas! Mas não podemos esquecer das pessoas físicas que são tão corruptas quanto os políticos envolvidos. Eu ainda acredito que novos funcionários públicos ficam acoados em denunciar esquemas que existem há muito tempo no órgão em que começa a trabalhar. Quem lá sabe o que poderia acontecer com uma pessoa dessa caso denuncie? Complicado. Ou seja, não existe apenas político corrupto, existe muita gente de empresa privada que é tão safado quanto.

"É culpa do presidente!!"
Acredito que estamos melhorando e o tempo amadurece o sistema do país como um todo, mas não podemos negar que precisamos melhorar em muita coisa ainda, pois é fato que temos tristes episódios de problemas com sistema de saúde, sistema de transporte, sistema de tributação, sistema político, etc. Estes problemas não saem da minha cabeça, pois eles são evidentes nas reportagens de jornal, revista, televisão, pesquisas internacionais, etc. Partindo do principio que precisamos de tanta reforma assim, não podemos simplesmente achar que é "culpa do presidente", ou "culpa de quem votou no presidente". O Brasil é composto por três poderes e o presidente represente apenas um deles. Boa parte dessas reformas dependem de textos que interferem na constituição. Onde estaria a boa vontade da MAIORIA dos deputados? Sem falar que uma proposta de emenda ou qualquer reforma dessa que falei, é preciso "passar pela mão" (votar) por mais de 200 deputados, e em seguida ainda passar por votação no senado. Pronto, ai sim vai depender da aprovação do presidente. É muito fácil culpar o presidente. Falar de política é complicado, porque envolve muita coisa.

Apagão na memória
Quando a gente discute política, é normal lembrarmos de episódios recentes e de episódios pontuais do passado. Não acredito que possamos debater sobre o assunto esquecendo do gigantesco passado que o Brasil tem. A gente mantém o foco no que acontece agora, mas esquece de fatos que aconteceram em outros governos que tem repercussões nos dias de hoje. É verdade que sabemos de vários escândalos que estão sendo revelados na atualidade, mas não podemos permitir que ocorra um apagão em nossa memória, como se no passado tudo fosse perfeito. Um exemplo muito simples é reclamar que a soma dos anos governados por Lula e Dilma juntos, mas esquecem que no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada uma emenda constitucional que permitiu a reeleição para os cargos executivos em todos os níveis. Tornando-se FHC o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito posteriormente. Então, na minha opinião, não dá para conversar sobre política sem avaliar muitas e muitas coisas do passado. Não adianta basear-se somente nos fatos atuais (que por sinal concordo plenamente que ainda tem muita corrupção, independente de unidade federativa e partido) pois é preciso ter um pouquinho mais de memória. Eu não tenho muita bagagem assim de história, e é por isso que evito estar discutindo, prefiro manter uma opinião imparcial sempre lembrando de fatos que conheço colocado nos seus respectivos contextos, sem ser preconceituoso.

O ato de votar  versus  culpa do povo
É muito comum uma pessoa ser julgada, de forma implícita ou explícita, pelo voto feito em determinado candidato, mas antes de julgarem é preciso compreender que aquela pessoa tem seus motivos particulares para isso. Eu costumo separar em minha mente 5 tipos de eleitores: os cegos que votam no governo, os cegos que votam na oposição, os que votam em qualquer um porque acham que não interfere, os que analisam os candidatos e os que são acoados em votar em determinados candidatos (seja por coronelismo ou compra de votos). São esses 5 tipos de eleitores que considero. Se pegarmos esses 5 tipos de eleitores e colocarmos em seus respectivos contextos, quantas situações diferentes podemos encontrar? Várias situações diferentes!! Se você pega um eleitor que mora numa cidade que foi completamente melhorada com o prefeito atual, acho que seria óbvio ele tender a votar no candidato relacionado à filosofia (ou partido) do prefeito da cidade dele. O mesmo serve para o contrário: se um eleitor mora numa cidade com alta insatisfação da população pelos serviços ou estado atual da cidade, ele tendenciará e não votar no presidente relacionado ao partido do seu prefeito. Agora imagine, você pegar 5.570 municípios e considerar que em cada munício possui os cinco tipos de eleitores que falei: quantos contextos (situações) teremos? incontável. Então, na minha opinião, não há como identificar o que é melhor. É complicado porque as pessoas estão em situações diferentes.

Para concluir, revelando no que realmente acredito: numa discussão sobre política, ou aprofundamos o assunto de forma imparcial, ou não discutimos. Caso contrário haverá uma discordância que não levará a lugar algum, nem mudar opinião de ninguém. Apenas perderão tempo e possibilitarão desentendimentos desnecessários.